
No último sábado entrei em um velho e quase abandonado edifício no centro do Rio para um realizar um trabalho. Havia um certo cheiro de esgoto, as instalações estavam em péssimo estado. Mas a disposição, a garra e o desejo de mudar das pessoas que encontrei lá dentro eram comoventes. Durante todo o tempo que lá estive, havia algo na parede em frente em mim que custei a perceber. Era um velho vitral que trazia – logo ela! – a imagem da justiça. Cheio de remendos, com pedaços faltando, coberto de poeira, incapaz de deter as intempéries, fossem a chuva ou o vento. Foi quando me lembrei da prisão do chefe de polícia e de seus asseclas, bem como de sua posterior libertação graças ao voto de seus pares. Bem, está na cara, a justiça brasileira, hoje, não merece mesmo um vitral melhor do que este que vocês aí vêem. Já as pessoas que conosco compartilhavam a sala eram mais espertas do que eu: nunca esperaram mesmo nada da justiça, portanto não perdiam seu tempo com essas metáforas que alinhavo aqui neste blog.







